O Processo da Conversão Diária

Texto base: 1ª Co 5.17 – Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
Esta verdade bíblica pode ser um peso para muitos novos-convertidos (Jo 8.36 e Ro 7.6), algo que faça com que alguns não se sintam salvos pelo fato de que, às vezes, ainda têm algumas reações da velha natureza (Ro 7.19).
Refletirmos um pouco sobre esta verdade nos ajudará a entender, com mais clareza, nosso próprio ser.
Somos um ser tricotômico (1ª Ts 5.23 / constata, Hb 4.12 / testifica) composto de um espírito, uma alma, e um corpo, e esta ordem precisa ser respeitada na hierarquia do nosso ser. Nosso corpo precisa estar subordinado à nossa alma, e nossa alma subordinada ao nosso espírito.
Para que possamos ter controle consciente sobre estas três partes do nosso ser, vamos trabalhar com cada uma das partes separadamente.

Nosso Espírito:
A palavra nos revela que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26) e que Deus é espírito (Jo 4.24). Com base nestes textos podemos concluir que se existe uma parte de nosso ser onde esta identidade é revelada no ato da conversão é o nosso espírito (Ef 4.3). Nosso espírito passa a ser então morada do Espírito de Deus. Precisamos, à partir deste momento, nos conscientizarmos de que assumimos o compromisso de aceitá-lo como Senhor e Salvador de nossas vidas (Ro 10.9~10) e que Ele norteará nossas ações (Ro 8.14). Para tanto se faz necessário que coloquemos nossas vidas em Suas mãos e vivamos na dependência D’ele (Ro 8.1). Precisamos crer que Deus sempre terá a melhor solução para cada uma das situações que estivermos atravessando e, a iniciativa de consultá-Lo precisa, necessariamente, ser nossa, porque Deus não invade nossas vidas (Ap 3.20).

Nossa Alma:
Nela reside um grande mistério e quando o desvendamos, damos um grande passo para uma melhor compreensão de nós mesmos. Enquanto o espírito experimenta novidade de vida naquele instante e a carne não é alcançada por esta conversão, nossa alma entra num processo que só será concluído naquele dia (Mt 24.13). Iniciamos um processo de santificação, de mortificação da nossa carne e de submissão ao nosso espírito (Ro 8.13), que será menos ou mais doloroso na exata medida com que buscamos fazer com que esta hierarquia se estabeleça em nossa vida de forma definitiva.

Nosso Corpo:
O corpo só sofrerá a grade transformação naquele dia, onde ele será glorificado (1ª Co 15.51~52).
Deus profetizou sobre satanás dizendo que ele se alimentaria do pó da terra todos os dias de sua vida (Gn 3.14). Deus também nos revelou que viemos do pó, e ao pó retornaremos (Gn 3.19). Esta imagem deixa claro que satanás estará sempre buscando alimentar-se de nossa natureza carnal, uma vez que a carne nunca se converte (Ro 3.20) e nela não existe bem algum (Ro 7.18). Por isso precisamos estar conscientes de que esta parte é vulnerável em nós (Ro 8.7) e temos que vigiar constantemente para que não morramos (sejamos derrotados) por causa dela (Ro 8.13 a).

Colocadas estas características destas três partes que compõe nosso ser, vamos analisar com um pouco mais de profundidade a inter-relação entre estas três partes. Desde a submissão hierárquica correta delas, às conseqüências nocivas da quebra desta hierarquia.
Diferentemente do nosso espírito, que tem que ser convocado para intervir toda vez que nossa alma não está em paz, nossa carne se manifesta sempre, e automaticamente, propondo uma solução “aparentemente” boa, independentemente de nossa vontade manifesta para que isto ocorra. Em toda situação, na qual nossa alma não se encontra em paz, nossa carne trabalha, até para tentar nos dar paz. Nossa carne se coloca como “nossa aliada”, na solução do problema.
Nossa natureza humana sempre propõe uma solução que, com certeza, não é a melhor.
Precisamos aceitar que as soluções da carne não precisam ser necessariamente ruins em sua essência. Isto é uma verdade. Na maioria das vezes, essas soluções têm alguns atrativos, e estes fazem com que os mais incautos sejam envolvidos. Esta realidade pode fazer com que vivamos na prática delas boa parte de nossas vidas, sem termos consciência disto.
As “soluções da carne” têm na sua essência três características negativas e basta que uma delas ocorra para que estejamos correndo sérios riscos:
1- Elas nos afastam de Deus. Tendem a fazer com que nos sintamos auto-suficientes, que podemos sempre encontrar uma solução, sem a necessidade de consultarmos à Deus (Ro 8.7~8).
2- São enganosas e momentâneas. Dentre estas soluções encontramos: passeios, festas, jantares, reuniões com amigos, etc. Nestes casos, quase sempre, quando voltamos para o “travesseiro” constatamos que a solução que se mostrava muito eficaz, ainda não nos levou o resultado esperado.
3- E viciam. Nosso ser tende a ficar condicionado à uma enorme cilada, que nos leva a tentar aquela mesma solução sempre que aquele problema ocorrer.
Podemos perceber claramente que, nos três casos, o que a carne faz é tentar nos tirar da dependência de Deus, quando na verdade o ideal seria sempre recorrermos em primeiro lugar à Deus. A solução apresentada pela carne não precisa ser necessariamente má na sua essência, mas simplesmente pelo fato dela ser da carne é perigosa.
Usemos um exemplo prático para ilustrar esta realidade (andar na carne x andar no espírito):
Vamos supor uma pessoa que não tenha controle algum sobre seus gastos e que por isso venha atravessando problemas financeiros, mas que não tenha consciência da causa. Se esta pessoa não for temente a Deus ela pode, caso não se omita e conviva com isto por anos a fio, tomar três posições:
1 – Tentar alguma solução criminosa (que é pecado) – ela pode roubar, sonegar, traficar, etc, para tentar solucionar seu problema.
2 – Tentar alguma solução pecaminosa (que pode não ser crime) – ela pode apostar nas loterias, tentar ludibriar alguém para levar vantagem em alguma situação, tomar emprestado sabendo que não terá como pagar, etc…
3 – Criar alguma outra forma de aumentar seus rendimentos (o que é perfeitamente legal) – fazer horas-extras, fazer “bicos” nas horas vagas, tentar vender alguma coisa, etc…
Convém ressaltar que, no exemplo acima, todas estas soluções foram geradas no homem e pelo homem. Foram soluções que não passaram pela consulta, em primeiro lugar, à Deus.
Para o homem natural, a natureza carnal ao ver a alma aflita, propõe algumas soluções, que a consciência do homem vai analisar e selecionar a que mais se encaixa nos seus padrões éticos e morais.
Se for uma “pessoa com sérios desvios de caráter”, bem provavelmente, ela vai optar pela opção n.º 1 ou até pela n.º 2. Mas uma coisa é certa, seja qual for a alternativa escolhida, será uma solução da carne.
Se for um “crente”, ela irá rejeitar, com certeza, a opção n.º 1 e provavelmente a n.º 2. Mas ainda assim se ele decidir-se pela n.º 3, sem consultar em primeiro lugar à Deus, também terá sido uma solução da carne.
O crente tem uma autocensura muito apurada quando o assunto envolve claramente o pecado (opções n.º 1 e 2), mas infelizmente se descuida quando o pecado não está claro (opção n.º 3). Devemos estar atentos para a realidade oculta neste exemplo:
Criar alguma outra forma “legal” de aumentar seus rendimentos, não é necessariamente um pecado em si só, mas a cilada de satanás é que esta solução foi dada, no exemplo, pela carne e não fruto de uma busca sincera à Deus, onde certamente Ele daria uma melhor solução para o caso. O exemplo parte do pressuposto de que os problemas eram decorrentes de um gasto desordenado e não de um ganho insuficiente.
Vale a pena alertar: O “crente” tem uma tendência a aceitar, com muita facilidade, soluções da carne, desde que o pecado não esteja claro. Este é o grande risco que o crente corre, pois depois de anos desta prática, ela já estará “viciado” (característica negativa n.º 3) e por isso se torna mais difícil sua consciência o alertar para esta realidade. A reação natural do “viciado” é dizer que: “não tem nada a ver’, “a situação está sob controle”, “paro quando eu quiser”, etc… São na realidade desculpas que o viciado dá para ele mesmo, sem se aperceber disto. Vale a pena enfatizar que não se faz, nesta argumentação, juízo de valor acerca das decisões tomadas. Se são boas ou más, se certas ou erradas, se são as mais indicadas ou não, o foco é que, no exemplo acima, nenhuma delas veio após uma consulta sincera à Deus.
Pode parecer um contra-censo, mas as soluções da carne mais perigosas não são as que “dão errado”, mas sim as que “dão certo”. As soluções que nos dão um resultado aparentemente bom trazem embutidas em si a probabilidade muito maior de que nos “viciemos” ainda mais facilmente.
Outra realidade nem sempre clara, é que para termos a direção do Espírito de Deus precisamos submeter, por decisão consciente, nosso problema à Deus e aguardar dele a direção correta. Diferentemente do que acontece com o nosso espírito, que precisa ser convocado à atuar, nossa carne, com o argumento de que é “nossa aliada e que só quer nos ajudar”, nos bombardeia com soluções “maravilhosas” sem que precisemos tomar esta iniciativa consciente de pedi-la. Na batalha pela alma, nossa carne trabalha incessantemente. Uma alma aflita, ferida, abatida (Sl 42.5) é um campo fértil para a atuação da carne. Tenhamos consciência disto ou não, isto é real.
Em resumo:
Viver para Cristo, o que para muitos é suficiente, requer basicamente competência e força de vontade, que são atributos ligados à carne. Nosso grande desafio é querer Viver em Cristo, que é permitir que Deus opere sua vontade em nós. È quando eu percebo que, muito mais importante do que fazer a obra de Deus, é fazer a vontade de Deus. È quando eu submeto a minha vontade à vontade de Deus e descubro qual é a parte que me cabe na Sua obra. È quando reconhecemos que, muitas vezes, usamos o “fazer a obra de Deus” como desculpa para não fazer a Sua vontade.
Após lermos este estudo podemos refletir sobre alguns aspectos de nossa própria vida, nos perguntando:
1 – Temos pedido a direção de Deus quando as situações adversas nos acometem?
2 – Temos aguardado a resposta de Deus antes de tomarmos qualquer decisão?
3 – Temos consciência de que podemos estar sendo dirigidos pela carne sem estarmos necessariamente em pecado?
4 – Temos conhecimento de que fazer a obra de Deus não significa necessariamente fazer a vontade de Deus?
5 – Temos consciência de que fomos convocados por Deus com um propósito específico, e que fazer a obra de Deus fora deste propósito não é suficiente?

Que Deus te abençoe.

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