O Maluco do Alvo

    Um caixeiro-viajante, ao chegar a uma cidade do interior, se surpreende com a enorme quantidade de árvores, todas elas com disparos de arma de fogo que acertam exatamente “na mosca”, os alvos pintados em seus troncos. 

Ela atravessa toda a cidade, a procura de um hotel, e pensa consigo:

“Nessa cidade deve morar alguém que é um exímio atirador. Ele não erra um alvo sequer”. E quanto mais ele anda, mais alvos ele encontra. Todos com um tiro certeiro. Ele fica extremamente curioso, mas segue até encontrar o hotel que procurava.

Chegando ao hotel, ao preencher sua ficha, ele comenta com o recepcionista:

“Desde que sai da estrada e peguei a rua principal tenho encontrado varias árvores com um alvo pintado, e todas elas com um tiro bem na mosca”.

O recepcionista responde, com um sorriso de desdém:

“Não liga não, é o maluco do alvo”.

Antes que ele tivesse tempo de pedir ao rapaz que lhe explicasse do que se tratava, ele ouve um tiro bem próximo do hotel.

O homem deixa a ficha no balcão, e curioso, sai correndo pela porta do hotel em direção ao local de onde veio o barulho.

Para sua surpresa, ao dobrar a esquina, ele se depara com um senhor, com roupas estranhas, deixando sua velha garrucha no chão. Em seguida ele apóia sua escada na árvore que recebeu o tiro, pega uma lata de tinta e sobe até o final da escada. Chegando lá, ele começa a pintar um círculo após o outro, fazendo um alvo em volta da perfuração que o tiro havia feito.

Entendendo então como tudo aquilo havia sido feito, o homem retorna para o hotel, tomado da mais absoluta decepção.

     À primeira vista, a atitude deste “maluco” pode parecer algo sem o menor propósito. Algo que não tem nada a ver com as nossas vidas.

Mas quantas vezes já não fizemos o mesmo que aquele maluco, por acomodação ou até mesmo por medo de nos decepcionarmos? Caminhamos toda nossa vida sem nos desafiarmos, sem estabelecermos um alvo para nós.

Se pararmos para refletir, ha quanto tempo não estabelecemos uma meta pessoal, um objetivo? Não temos a mínima noção de qual será nosso resultado ao final do ano, até que chegue o dia 31 de dezembro.

Quantas vezes deixamos de nos desafiar, evitamos estabelecer metas pessoais, levamos nossa vida “como dá” e ao final nos damos por satisfeitos?  

Quantas vezes aceitamos nossos resultados com resignação, mesmo que conscientes de que temos potencial para conquistar mais. E quando chegamos a estabelecer objetivos, evitamos comentar com amigos, para que depois, caso não consigamos atingi-los, não sejamos alvo de chacota.

Quando questionados, damos sempre muitas “explicações e justificativas” para não ter chegado mais longe, conquistado mais. E o interessante é que todas as razões apresentadas estavam fora do nosso controle. Parece uma forma covarde de nos eximirmos da responsabilidade por nossos próprios resultados. E o pior, é que em alguns casos, dizemos que o resultado alcançado no final do ano era exatamente aquele que desejávamos. É como pintar nosso alvo pessoal só depois de já ter efetuado o disparo.

Será que o medo de não atingirmos nossas próprias metas não tem nos impedido de estabelecê-las. Saiba que as circunstancias que nos cercam nos influenciam muito menos, quando estamos focados em nossas metas.

O prazer de atingir uma meta, lá no final, é um excelente combustível durante toda a caminhada. Certamente bem maior do que a decepção por não tê-la atingida.

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